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| O Brasil que empreende |
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| outubro - 2005 |
Por conta da minha militância “empreendedorística” tenho palestrado em muitos lugares, participado de inúmeros debates e bate-papos e mantido as mais diversas conversas sobre o tema.
Recebo e-mails sobre tudo o que se possa imaginar. De gente me provocando: “...Tô só no desabafo, mas se tiveres uma idéia pra me mandar, te garanto que tu vai ver ela crescer...”, passando por gente me pedindo uma forcinha: “...existe a possibilidade de V. sas liberarem os vídeos para download?” indo até gente me pedindo uma luz: “O que posso fazer para desprender-me de influências passadas e seguir rumo ao meu objetivo? EU QUERO SER UM GRANDE EMPREENDEDOR!” ou “Horas atrás me questionava por q. minha mente não pára de trabalhar um minuto em função dos meus projetos/trabalho...”. São mais de 10 e-mails por semana. Responder a tantos questionamentos não é tarefa fácil, mas a causa merece, certamente.
Tenho observado que a maior parte vem de jovens em uma busca incansável por informação, por ajuda, por aconselhamento.... e em uma busca dirigida: empreendedorismo.
São jovens de todo o país que não se conformam em ficar olhando o trem passar e querem pular nele, alguns querem até mudar o seu destino! Jovens que me convidam para visitar os confins de nossa terra. Jovens que vão contra as burocracias universitárias para montar eventos de empreendedorismo. Jovens que vibram como se a seleção brasileira tivesse vencido um jogo da copa (ou a própria) quando dizemos a eles que iremos até a sua cidadezinha palestrar para seus colegas. Jovens que ficam eternamente gratos quando respondemos brevemente a um e-mail deles pedindo alguma coisa. Jovens que nos colocam num pedestal quando mandamos um livro para eles pelo correio.
Que país é esse? - já andaram perguntando em música por aí...
Numa dessa investidas, fomos - consegui que o Marco Aurélio Klein, amigo e companheiro de negócios se emocionasse com a causa e me acompanhasse - palestrar em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde vivemos uma experiência inesquecível: 450 jovens nos prestigiando, e, o que foi mais incrível, pagando R$ 5,00 cada um! Ficamos emocionados com o profissionalismo e o interesse da gurizada, como dizem por lá. Foi uma oportunidade fantástica poder estar lá com aquela moçada ávida por informação, por conhecimento, por crescer e fazer esse país crescer.
Noutra investida, como um dos idealizadores de um curso de gestão empreendedora, ministrado a empreendedores e pesquisadores participantes de um programa governamental de fomento à inovação e ao empreendedorismo, tenho presenciado gente muito criativa, inteligente e perspicaz inovando e buscando novos caminhos empresariais para nossa terra. Alguns jovens, outros nem tanto, todos ali, na sala de aula, fazendo seus negócios e sonhos crescerem.
Seja qual for a investida, uma coisa tem me provocado - dificuldades à parte (e elas existem aos montes) - o input que recebo desses jovens e desses empreendedores é absolutamente diferente de todas as manchetes que me atingem quando ligo a TV, abro os jornais ou folheio as revistas, onde se vê e lê o país que dá errado, é pobre, corrupto, pouco inovador e não tem chances
Que país é esse? Um país que está empreendendo para saber como empreender? Um país que não está conformado? Um país que tem pouca informação sobre o que o governo está fazendo ou deixando de fazer mas que quer muita informação de como pode fazer ele mesmo? Um país que acredita na iniciativa? Um país que vai à escola aos 50 anos? Um país que anseia fortemente sair dessa posição de 3º mundo? Um país que acredita no seu potencial e não fica praguejando o aeroporto internacional como única saída? Um país que faz, não espera acontecer?
Afinal, que país é esse?
Por: Bob Wollheim
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