Há dois anos foi publicado um interessante trabalho sobre a situação da Comunicação Interna nas empresas. Trata-se do estudo dirigido pelo Instituto ABERJE de Pesquisa, que consultou 100 dentre as 500 maiores e melhores empresas do país, de acordo com levantamento da revista EXAME. Vale lembrar que, juntas, essas Companhias contam com mais de 800 mil funcionários e os grupos a que pertencem faturaram acima de U$$ 170 bilhões, e que esses números representam cerca de 14% do Produto Interno Bruto do Brasil. A íntegra do estudo, de autoria de Paulo Nassar (jornalista, escritor e Presidente-Executivo da ABERJE) e Suzel Figueiredo (Formada em Comunicação Social, com especialização em Comunicação Empresarial na Unesp e Diretora do Instituto ABERJE de Pesquisa) pode ser conferida em Comunicação Interna – A Força das Empresas, Volume 1 – ABERJE Editorial.
Os autores destacam que “A atividade da Comunicação Interna, uma das áreas da Comunicação Empresarial, vem ocupando espaço cada vez mais relevante dentro das empresas. Não se concebe mais que uma organização moderna omita a informação de seus funcionários”. (2003: 12). Percebe-se, pois, que a Comunicação Interna está, felizmente, deixando de ser uma atividade secundária para se converter numa valiosa ferramenta de gestão empresarial, contribuindo não só para a capacitação profissional, integração e consolidação da imagem, mas também para a competitividade, já que funcionários bem informados são considerados um diferencial no que cerne à qualidade.
Não pude deixar de notar que, como sempre faço questão de frisar neste espaço, as empresas têm tomado cada vez mais consciência do valor da comunicação. E nessa era de verdadeiro bombardeio de informações, os meios utilizados pelas equipes responsáveis pela Comunicação Empresarial são os mais variados, desde jornais impressos, revistas e boletins, passando pela intranet. Outro dado digno de nota é que os funcionários, ao contrário do que muitos podem pensar, participam ativamente do processo da Comunicação Interna.“Em 90% das empresas, os funcionários participam da elaboração dos meios de comunicação, sendo que em 57% delas como colaboradores esporádicos, 50% por meio do comitê de comunicação, 38% como correspondentes fixos; 33% participam por concursos e prêmios e 19% por meio de caixa de sugestões.” (2003: 19). Além de todos esses fatores, segundo a pesquisa, grande parte das empresas aumentou o montante de investimentos em Comunicação Interna nos últimos cinco anos.
No entanto, nem tudo são flores. Quando indagados sobre a eficiência da Comunicação Interna, a postura da maioria dos entrevistados não é de, propriamente, entusiasmo. “Para 71% (...) a comunicação interna (...) atende parcialmente às necessidades de informação. Não existe relação direta entre aumento de investimentos e eficiência da comunicação, pois até nas empresas que mais investem existe a percepção de que a comunicação não atende amplamente às necessidades dos funcionários.” (2003: 22).
Diante disso, nós, da Scritta, nos sentimos mais do que na obrigação de lutar para que esse quadro de eficiência parcial na Comunicação Interna seja revertido. É inadmissível que, em pleno Século XXI, em plena era da informação, com essa enormidade de instrumentos ao alcance de quem valoriza a eficácia, a Comunicação Empresarial tenha uma eficiência, apenas, parcial. Está certo que os investimentos cresceram, todavia, ainda estamos longe do ideal. Há se ter em mente que a comunicação eficaz é uma das armas mais poderosas à disposição do mundo corporativo hoje em dia, e que todos, sem exceção, devem usar e abusar dela. Se pararmos um pouco para refletir no quanto uma falha de comunicação pode gerar transtornos e até ser responsável pela perda de um importante cliente em potencial teremos idéia do tamanho do esforço a ser feito.
Em tempos como os nossos, aquele grupo que mais destacar, que “vender melhor o seu peixe”, se dará bem em qualquer situação. E, pelo que eu saiba, são poucos os que conseguem “vender peixe” sem se comunicar de maneira minimamente eficiente. Veja o exemplo dos feirantes. Seus lucros estão diretamente ligados à comunicação. Ou será que alguém, em sã consciência, acredita que eles ficam lá apregoando seus produtos somente por gostarem daquilo? Não! Vender mais depende da elaboração de toda uma estratégia argumentativa. Sim, porque o ato de vender algo é uma ação argumentativa por excelência. E uma vez que argumentação e comunicação caminham de mãos dadas, urge fazermos um trabalho de aumento da eficiência na Comunicação Interna nas corporações, mesmo porque, um simples e-mail mal interpretado pode danificar de maneira irreversível uma reputação de solidez construída à custa de muito suor.
Nossos agradecimentos a Laila
Vanetti - diretora da Scritta pela autorização
para reprodução deste artigo.
Laila Vanetti é Bacharel e Mestre em Lingüística pela Unicamp,
especializando-se em Retórica, Argumentação, Lingüística Textual e Análise do
Discurso. Professora de Língua Portuguesa em tradicionais colégios como Integral e Notre
Damme e de conceituadas universidades como ESPM e ESAMC, Laila teve participação de
destaque nos mais importantes processos seletivos em Português do país nos últimos 13
anos, entre eles, Unicamp, ENEM e Provão. À frente da Scritta Cursos e Consultoria em
Linguagem, empresa pioneira na capacitação dos profissionais do mundo corporativo no
tocante às habilidades de comunicação, há mais de cinco anos.