Numa aula que dei recentemente, pedi num exercício que os alunos – todos formados, diga-se de passagem – criassem um novo negócio. Deveriam fazê-lo em meia hora e apresentá-lo com alguns destaques: o que é o negócio, o modelo de negócios e uma propaganda. Advinha onde todos tiveram dificuldades? O tal do modelo de negócios. “O que é isso exatamente, Bob”, me perguntaram alguns. Só depois de umas explicações simples, puderam atender a esse item.
Uma das coisas cruciais nos negócios em si é o modelo de negócios. Pode parecer mais um termo genérico, de origem gringa e que no fundo não quer dizer grande coisa, mas não é. O modelo de negócios e principalmente o exercício de pensar diferentes alternativas e formatos para se definir um modelo, é peça fundamental do sucesso.Parece, mas não é.
Muitas vezes não percebemos que muitas empresas – especialmente as americanas, onde esses conceitos estão arraigados até na sociedade – têm modelos de negócios inovadores, ousados e que, não raro, ficam anônimos para o observador comum. Todo mundo pensa que o Google, por exemplo, é uma ferramenta de busca quando, na verdade, é uma ferramenta de indexação de links”.
Concorda? Já pensou dessa forma?
Alguém que olhe para o Google como um usuário verá, claro, um site de buscas. Porém, se você se debruçar mais atentamente, descobrirá que as receitas provêm maciçamente dos links patrocinados, o que diferenciou o negócio Google das outras ferramentas de busca. É óbvio que a inovação no algoritmo de busca é que permitiu que eles colocassem em prática esse modelo mas, por outro lado, mesmo tendo a nova lógica de busca (genial de tão simples), se eles tentassem viver de publicidade muito provavelmente sequer existiriam hoje.
E tem mais. Eles perceberam bem cedo que existia uma competitividade suicida no mercado de busca e de publicidade na Web, com uma tendência constante para baixo. Viram também que os links patrocinados tinham ainda um grave problema: uma vez vendida uma palavra qualquer para uma empresa, o mercado estaria fechado para todos que quisessem a mesma palavra. Solução?
Um modelo de negócio com leilão: quanto mais desejada a palavra por anunciantes e usuários, maior o preço cobrado, equilibrando dessa maneira os preços e evitando a tendência contínua para baixo. Genial e simples. Pois é, mas essa última parte já tinha sido inventada. O que fizeram?
Copiaram, justamente o modelo de negócios. Alguns anos depois tiveram até que fazer um acordo na justiça com a Overture, criadora original da metodologia e que hoje pertence ao Yahoo.
No Google, quem procura acha e quem procura melhor, acha o modelo de negócios, ou seja, a razão de tanto sucesso.
Fonte: EmpresaBrasil!
Por: Bob Wollheim
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