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| De como a ONG descobriu a Internet |
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| março - 2007 |
A tecnologia não me assusta. Ela me enlouquece! Por um lado, porque tive meu primeiro computador aos 30 e poucos anos. Foi algo que tive que aprender a incorporar à minha vida e à minha rotina de trabalho, quando achava que já tinha conhecido tudo, ao contrário das crianças, que já nascem praticamente integradas com a cultura digital, me dando a nítida sensação que me tornei um daqueles dinossauros do elenco de Parque Jurássico.
Por outro, porque fico sempre maravilhado com as inovações que a tecnologia nos traz. Os espaços em branco que ela preenche. E foi essa a maneira que escolhi para me relacionar com a tecnologia e a cultura digital: quero conhecer tudo, saber tudo, para poder tirar o máximo de proveito.
Tecnologia a serviço do social
Puxando a brasa para a minha sardinha, como a tecnologia pode se tornar parceira de uma causa social, potencializando sua atuação, sua mobilização de recursos, sua relação com o público de apoiadores?
Estando à frente de uma organização, a Doutores da Alegria, buscar soluções em tecnologia tornou-se uma prática constante. O primeiro passo dado nesse sentido foi junto a uma constante necessidade, a mobilização de recursos: com pode a tecnologia nos ajudar?
Bem, por volta de 1997, o primeiro passo neste sentido foi criar um site, para explicar ao público toda a complexidade de nosso trabalho, das visitas dos palhaços ao hospital até as atividades de pesquisa do Centro de Estudos, passando por notícias e eventos.
Acreditávamos que um bom site poderia motivar o público interessado a se tornar um sócio mantenedor. E lá fomos nós, buscar tecnologia para conseguir captar sócios pela Internet. Sem querer, acabamos nos tornando a primeira organização sem fins lucrativos no Brasil a fazer esse tipo de transação com sucesso.
Em seguida veio a loja virtual, o fórum virtual e hoje estamos trabalhando com educação à distância para nossos programas de formação para médicos e profissionais de saúde, e procurando tornar nosso site um ponto de utilidade pública mundial no que se refere ao trabalho de palhaços em hospitais.
E tem mais: Palhasoftware
Mas a parceria com a tecnologia não para por aí. Organizações estão sempre prestando contas das verbas recebidas. Transparência na aplicação do dinheiro captado é um critério de credibilidade dos mais importantes.
Manter as contas e o fluxo de caixa organizado, saber todo o movimento de entradas e saídas de verba também é outro desafio constante, portanto, criar um software – aqui conhecido como “palhasoftware”- para organizar todas as entradas e saídas de dinheiro de modo que possamos prestar contas com um clique ao final do ano é um projeto no qual vimos trabalhando há dois anos.
Isso é só aponta do iceberg das inúmeras oportunidades que a parceria com a tecnologia nos oferece, além de serem maneiras de otimizar o trabalho e fazer valer mais cada real que nos é confiado por nossos apoiadores e sócios mantenedores.
Tecnologia a favor do relacionamento
O desafio maior, entretanto, é alinhar o uso de toda essa tecnologia, em especial a de relacionamento, com os princípios e essência das organizações.
Para nós, por exemplo, alegria é o resultado de uma comunicação bem estabelecida; a delicadeza das relações no dia-a-dia de nossas vidas. E como traduzir isso nas ondas da Rede Mundial? Como acolher o outro através das imagens e interações de um site?
Tudo começa com a busca do parceiro tecnológico correto, aquele que entende a causa e pensa junto com a organização. Esses parceiros podem ser encontrados em universidades, bem como em empresas privadas. Procurar é importante porque a cumplicidade que se desenvolve afeta o resultado final. Ou, devo dizer, o resultado constante, porque essa é uma busca que não acaba.
Ainda há muito para ser explorado na parceria entre a área social e tecnologia; o que não podemos é evitar o assunto. O grande ganho de todos nós com o advento da Internet foi a possibilidade de partilhar conhecimento e informações, de mobilizar pessoas e recursos e de promover mudanças. Isso é o que toda causa busca. Portanto, mãos à obra.
Por: Wellington Nogueira
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