Todos os tipos e estilos de administração, do mais ultrapassado ao mais atual, podem se beneficiar dos recursos da Rede das Redes. Tomemos como exemplo extremo uma administração centralizada que, além de deixar seus trabalhadores à margem do processo decisório, os considera como meros executores de determinações "superiores".
Poderíamos discorrer longamente sobre a ineficiência de tal modelo, mas nos basta aqui afirmar que se trata de uma opção politicamente incorreta e absolutamente incompatível com o atual estágio de evolução da sociedade brasileira, o que levaria a grande resistência contra sua implantação e manutenção.
O administrador que tiver tal perfil, que podemos descrever genericamente como "optante renitente pelo desprezo à capacidade de seus administrados" ou, resumidamente, como "gerente centralizador", não poderia pôr em prática seus métodos preferidos abertamente, precisando, portanto, disfarçá-los.
Mas a(s) ferramenta(s) da Internet escolhida(s) e sua utilização denunciam o que se passa nos bastidores gerenciais.
A administração centralizada é representada corretamente por uma única seta que parte da gerência em direção ao conjunto de unidades técnicas, simbolizando as determinações da chefia.
[Chefia] determinações -> [corpo técnico]
O único movimento em sentido contrário seria de dados, transformados em informação por uma assessoria, no intuito de verificar e assegurar o estrito cumprimento das determinações "superiores".
A Internet conta com diversas ferramentas que contribuem para agilizar e facilitar a distribuição de informações num único sentido. Podemos citar como melhores exemplos a web (disponibilização de informações em páginas web, seja via www ou via Intranet) e as listas de distribuição (recurso que mantém um grupo de destinatários de e-mails sem opção dos receptores enviarem suas próprias mensagens aos demais membros da lista).
Ocorre, porém, que a necessidade de ocultar seu estilo faz com que o
gerente centralizador opte por ferramentas da Rede destinadas a um estilo contrário ao seu, incluindo pesquisas de opinião e disponibilização de artigos de colaboradores no site web e mantendo listas de discussão (recurso que mantém um grupo de destinatários de e-mails com a opção dos receptores enviarem suas próprias mensagens aos demais membros da lista) para supostamente debater assuntos de interesse da instituição.
Isto abriria a porta a uma avalanche de intervenções no processo
decisório, e seria, portanto, um imenso incômodo e ameaça ao modelo
administrativo centralizado. Em vista disto, o gerente centralizador, agora também falacioso, impede o funcionamento normal de tais ferramentas e práticas e assim dá pistas claras do estilo que estaria ocultando.
Os artigos publicados no site são severamente censurados ou simplesmente se faz de conta que os considerados menos oportunos não foram recebidos para publicação, as eleições são fraudadas, seja através da orientação dos subordinados mais receptivos e ocupantes de cargos a concentrar seus votos na opção desejada pelo Chefe ou, se ainda assim não se conseguir o intento, criando regras ou divulgando importantes limitadores posteriormente ao pleito e, por fim, "moderando" a discussão nas listas de forma a impedir que
opiniões divergentes das do administrador centralizador e falacioso sejam divulgadas e debatidas.
Na busca por revestir decisões despóticas, indubitavelmente anacrônicas, com uma aparência de legitimidade, as atitudes da gerência levam à prova o poder da Internet, que, cedo ou tarde, se mostra maior que o da mordaça.
Logo as mensagens que não veicularam na lista passam a ser trocadas
privadamente entre seus assinantes; o material não divulgado no site
institucional passa a ser disposto em diversos sites particulares e pleitos paralelos comprovam as "fraudes eleitorais".
Por isso, antecipe-se. Se algum gerente vem usando listas de discussão como se fossem de distribuição, se os textos publicados na Intranet daquela regional seguem sempre a mesma linha de pensamento, se o resultado de votações no site é sempre concentrado inexplicavelmente numa ou duas opções, não se deixe enganar pela falácia de seu gerente. Ele é centralizador, e não dispõe do perfil adequado para gerir organizações modernas.
Eduardo Wyllie (publisher@cybereconomist.ecn.br) é autor do livro Economia da Internet, publisher do site The CyberEconomist (www.cybereconomist.com.br), consultor e palestrante (fundador do E-consultancy Workgroup). Como pioneiro e como um dos maiores visionários do setor, tem sido chamado de Patrono da Economia da Internet.
Por: Eduardo Wyllie
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