Fazer parte de um mercado em que há vagas sobrando, expansão de empresas e disputa por talentos é sonho de profissionais de qualquer área.
Para os de tecnologia da informação, a realidade se aproxima bastante disso. Com alta demanda por especialistas, as empresas recrutam jovens nas escolas e brigam para atrair e reter profissionais experientes.
Segundo a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), o Brasil forma anualmente 17 mil programadores. O número é muito menor do que a demanda, calculada em 40 mil por ano.
"A conseqüência disso é a competição acirrada por talentos -uma "antropofagia setorial", diz Gilberto Lima Júnior, gerente do projeto de TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) da ABDI.
De acordo com as empresas ouvidas pela Folha, o número de vagas é crescente, mas a oferta de mão-de-obra nem sempre está a contento.
"Há um aumento de vagas específicas: as empresas querem um analista de sistemas que saiba falar do negócio, trazer inovação e menores custos", avalia Rodolfo Eschenbach Jr., responsável pela área de desempenho humano da consultoria Accenture.
Rubens Antonelli, 52, foi contratado recentemente como diretor de serviços de TI da Topmind. "Meus diferenciais foram a vivência corporativa e a experiência como consultor", conta Antonelli, engenheiro de formação. Ele valoriza ter trabalhado em projetos nos Estados Unidos e na Espanha.
Novatos
Na IBM, a exportação de serviços aumentou a demanda por profissionais. Segundo Luciana Farisco, gerente de talentos, as contratações crescem há três anos. Em 2006, foram 2.500. Neste ano, deverão ser 3.000.
Prevendo a falta de mão-de-obra, a empresa fez acordos com escolas para ajudar a formar jovens técnicos.
Um deles é o estagiário Leonardo José Fernandes de Quadros, 18. No último ano do curso técnico em informática, ele recebe treinamento em mainframe e estuda inglês com subsídio da companhia. "No ano que vem, vou fazer administração com ênfase em TI. Quero crescer na empresa", conta.